quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Cristianismo criativo?



Entrevista com Steve Turner, autor do livro Cristianismo Criativo?

Imagine um mundo repleto de artistas. De seres humanos especialmente criativos e devotados à música, literatura, teatro, pintura. Imagine um mundo de concertos e óperas, em teatros ou praças públicas. Idealize quadros e esculturas; estilistas, coreógrafos, cenógrafos. Abra um livro imaginário e passeie pelo conteúdo. Adapte para as telas do cinema, da TV e pare.

Pense e imagine tudo isso sendo elaborado por cristãos. Que impacto teria na sociedade? A igreja ignoraria Shakespeare por escrever Romeu e Julieta, Hamlet ou Macbeth? Ou se orgulharia do dramaturgo da mesma forma que enche a boca para dizer ao mundo que C.S.Lewis, o escritor de Crônicas de Nárnia, era cristão?

Steve Turner é autor do livro Cristianismo Criativo? (W4 Editora) e defende a idéia de que o artista não precisa sacralizar sua arte para ser aceito pela comunidade cristã quando se converte ao Evangelho. Para ele, a arte cristã deve ser estendida e propagada para além dos templos. E, ao lançar este desafio aos artistas – o de continuarem produzindo arte secular, leva em consideração apenas a importância do testemunho e da ética cristã. Ele quer ver os cristãos revolucionando a arte contemporânea, embora não espere que esta mesma arte, por si só, converta pessoas, mas espera que ela seja boa o suficiente para despertar no apreciador da obra de arte o interesse pela vida e pelo testemunho de seu autor. “Esta é uma das chances de ser luz nas trevas. Se não estamos presentes nas artes, negamos às pessoas a oportunidade de se depararem com a nossa perspectiva”, diz ele.

Esse escritor inglês, residente em Londres e membro da igreja All Souls, em Langham Place, é também jornalista, poeta, crítico musical e consultor de empresas na América e na Europa. É colaborador das revistas Rolling Stone, Q, Christianity Today, e dos jornais The Mail on Sunday e The Times. Dentre seus vários livros estão Hungry for Heaven, Conversation with Eric Clapton, U2: Hattle and Hum, Van Morrison: Too Late to Stop Now e The Gospel According to the Beatles, entre outros. Também escreveu alguns livros infantis, sendo o primeiro deles The Day I Feel Down the Toiled, que já vendeu 120 mil cópias. Por telefone, a reportagem de Enfoque conseguiu conversar com Turner e, de suas idéias um tanto incomuns, elaborou a entrevista que segue abaixo.

ENFOQUE – Em seu livro Cristianismo Criativo?, você critica a música gospel pela delimitação e pela falta de criatividade nos assuntos tratados. De certa forma, você sugere que a música também caminhe para uma visão de mundo cristã, isto é, com letras que protestem contra o aborto, peçam o cancelamento da dívida dos países do Terceiro Mundo, dignifiquem o trabalho de um limpador de rua, etc. Além dessas idéias, que caminhos um músico cristão deve seguir para desenvolver a criatividade com sabedoria?


STEVE TURNER – O primeiro artista citado na Bíblia é Bezalel, filho de Uri (Ex 35.31). Ele diz que o espírito de Deus o presenteou com habilidade, sabedoria e conhecimento. Da mesma forma, nós precisamos de todas essas coisas. A habilidade é básica e esta você precisa desenvolver. O conhecimento você adquire através do estudo. E quando falo de conhecimento, também me refiro a um nível mais profundo de discernimento. A sabedoria, diz a Bíblia, começa com respeito e temor a Deus. Então, como artista, é necessário ter todas essas características, pois o ofício em si não é suficiente. 


ENFOQUE – Como um músico cristão pode ser relevante na igreja e na sociedade? O que você acha de o músico cristão tocar fora da igreja?


STEVE TURNER – Se um músico fosse se converter, sua primeira reação provavelmente seria dizer: “Agora eu quero utilizar a bênção que recebi para o serviço de Deus”. Ótimo, mas no entendimento instantâneo das pessoas, ele provavelmente começará a cantar músicas evangélicas, especialmente em igrejas. Agora, se um encanador se torna cristão, nós não temos a tendência de pensar que ele só fará reparos no encanamento de igrejas. Então, eu quero encorajar os artistas que se convertem que considerem o fato de permanecerem onde estão, mas com uma atitude renovada em relação ao seu trabalho. Se todos os artistas que se tornarem cristãos se envolverem somente com o evangelismo, de modo geral, eles estarão negando sua cultura e os benefícios de sua habilidade e sua capacidade criativa. 


ENFOQUE – Você diz que cresceu “dentro de um evangelicalismo que não preparava as pessoas para um papel dinâmico na cultura secular”. Como você considera a formação do cristão contemporâneo em relação a esta preparação? 


STEVE TURNER – A coisa boa a respeito da maneira como fui criado é que nos foi passado um grande conhecimento das Sagradas Escrituras e isso realmente nos marcou, pois percebemos que nossa relação com Deus era a coisa mais importante. Havia uma série de condenações, como o cinema, por exemplo, entre outras coisas. No entanto, sou até capaz de aceitar que aquilo era uma tentativa, embora discutível, de aplicar os valores bíblicos à cultura. Hoje em dia, o problema em ser mais liberal com relação a essas proibições é que isso pode tornar as pessoas meras consumidoras da cultura secular. Não há uma tentativa de filtrar a cultura através de um entendimento bíblico. Aliás, o conhecimento bíblico de hoje é muito superficial. Uma vez alguém me disse: “O cristianismo norte-americano tem 5 quilômetros de extensão e meio centímetro de profundidade”. 


ENFOQUE – Você se opõe à idéia de separação entre a vida secular e a vida espiritual. Quais são os seus argumentos?


STEVE TURNER – Era a filosofia grega, especialmente Platão, que separava o sagrado do secular. Ele achava que o corpo humano e suas necessidades nos impediam de obter uma maior aproximação de Deus. Os cristãos adotaram essa postura e agem como se a coisa mais importante da vida fosse orar, ler a Bíblia e louvar. Agem como se comer, amar, brincar e trabalhar fossem nada mais que intrusos em nossa vida. A visão da Bíblia é que Deus nos criou para amar e orar, para comer e louvar, para brincar e evangelizar. Ele nos vê como pessoas completas e gosta de nos ver integrados nessas atividades. O resultado desse pensamento culposo é que os cristãos têm uma ideologia de oração e gerenciamento de igrejas, mas não de trabalho e lazer.

ENFOQUE – Inegavelmente, a arte pode ser vista como manifestação de rebeldia e descontentamento em relação às regras ou a um sistema por completo. Através dela é possível brincar com o perigo sem risco direto. As palavras podem não representar o óbvio e, assim, “muito belo” pode significar “muito feio”, enfim. A arte concede ao artista a oportunidade de expressar sentimentos e pensamentos, sem medo de represálias. 


ENFOQUE - Em relação ao estigma de que "todo artista é rebelde”, qual é a sua contraposição?


STEVE TURNER – Penso que os artistas são mais idealistas do que propriamente rebeldes. Eles costumam idealizar uma sociedade perfeita porque têm imaginação para isso. E, também, pelo fato de que normalmente trabalham sozinhos, não tendo, assim, a mesma mentalidade das pessoas que trabalham em uma empresa. Eles não têm que obedecer às mesmas regras e códigos de conduta. Alguns artistas desenvolvem uma espécie de “rebeldia aceitável” – aquele tipo de rebeldia que não chega a incomodar a sociedade, mas que ao final é recompensada pela mesma. 


ENFOQUE – A arte dramática está entre as maiores oposições do cristianismo. Jovens que sonham com as carreiras de atores e atrizes seculares, não raro, são aconselhados por líderes a desistirem de seus objetivos. O principal argumento é de que essas práticas, desde as primeiras oficinas, exigem do artista representações físicas impróprias ao cristão. Alguns desistem dos sonhos e dificilmente superam a frustração. Muitos se auto-reprimem, outros abandonam a fé. Como conhecedor das influências do mundo artístico, qual a sua posição frente à inclusão do cristão nas artes dramáticas?


STEVE TURNER – Atores encarnam personagens criados pela mente do autor e isso é realmente complicado, porque não é comum encontrar um escritor que crie personagens que façam o intérprete cristão se sentir cem por cento à vontade. Quando falamos sobre o que um autor deve ou não fazer no palco, acho que a coisa mais importante é a mensagem do filme ou peça teatral. A mensagem de Macbeth, por exemplo, é mostrar o que acontece quando você permite que o demônio domine suas ações. Agora, para representar bem esse tipo de papel, você tem que encarnar o personagem. Acho que os cristãos deveriam analisar melhor a questão da idolatria e não se aterem à tentativa de ser como Deus.


ENFOQUE – E quanto à questão do beijo, ou fazer um papel sensual? Você acha que é inadmissível perante a fé cristã? É possível atuar em uma peça escrita por um dramaturgo não cristão? Se sua resposta for não, você acha que os atores e atrizes cristãos deveriam desistir de seus sonhos?


STEVE TURNER – Nós não devemos pensar em “temas cristãos”. Deveríamos pensar em verdade e excelência. Quando pensamos em temas cristãos, nos vêm à mente histórias bíblicas e histórias de pecado, arrependimento e conversão. Hanz Rookmaaker, um estudioso da história da arte, costumava dizer que deveríamos questionar toda e qualquer obra artística com as seguintes perguntas: “Ela é boa tecnicamente?”, “Tem integridade?”, “É verdadeira?”. Algumas músicas dos Rolling Stones ou da Madonna podem passar nesses três critérios, enquanto alguns hinos podem falhar em um ou dois. Se eu leio um poema, não me pergunto se ele é cristão, mas se foi bem escrito, se o autor atingiu seu objetivo ou se tem coerência com a verdade da maneira que eu a conheço. As pessoas devem lembrar que os artistas normalmente não são chamados a serem evangélicos; logo, não podem ser julgados de acordo com esses padrões. Uma pintura ou uma dança não é um sermão disfarçado. De que maneira um médico cristão poderia ser julgado? Pelo número de pessoas que ele evangelizou? É claro que não! Julgamos um médico pela sua capacidade de diagnóstico, bem como por sua competência em tratar doenças e também pela maneira de lidar com os pacientes.


ENFOQUE – Cristianismo e moda sempre estiveram separados por um precipício denominado “vaidade”. Esta é outra área da arte em que a presença do cristão é praticamente nula. Os comentários de que o homossexualismo e a prostituição povoam os bastidores, sobretudo em início de carreira, sustentam o preconceito. Você vê alguma objeção em um cristão desfilar nas passarelas do mundo fashion? 


STEVE TURNER – Eu sei que há cristãos trabalhando no mundo fashion aqui em Londres, em Nova York, em Los Angeles... Acho que eles deveriam ler o que a Bíblia diz sobre as roupas. Em primeiro lugar, precisamos de roupas para cobrir a nossa nudez (Gn 3.21). Em segundo, há um valor de beleza e estilo naquilo que Deus criou. Veja como Deus cobriu os animais e as flores. Em terceiro lugar, não devemos ser provocativos, nem fazer com que os outros tenham pensamentos libidinosos. Em quarto, não devemos sugerir que a beleza exterior é mais importante que a beleza interior (Pe 3.3; 4.1; Tm 2.9-10). Em quinto, não devemos ostentar roupas caras enquanto outros não têm o que vestir. E, finalmente, não devemos usar roupas para elevar o nosso ego nem para nos sentirmos superiores em relação aos outros. Nunca estudei moda especificamente, mas esses pensamentos vêm à tona à medida que respondo a essas perguntas. A Bíblia apenas nos dá orientação, por isso é muito emocionante poder colocar esses ensinamentos em prática. Há inúmeros exemplos de grupos que pensam que o vestuário cristão significa usar roupas que não reflitam nenhum traço de personalidade, fazendo-as lúgubres e sem forma, mas eu não acho que essa seja a aplicação correta desses princípios.Sobre a questão da prostituição e do homossexualismo, não concordo que isso necessariamente faça parte do mundo fashion. Você não tem que ter nenhum vício nem estar propenso a algum tipo de pecado para ser capaz de elaborar roupas. Talvez a pergunta seja: se há tantas pessoas no mundo da moda, isso o torna um meio perigoso? Depende do quão suscetível às influências um cristão possa ser. Você precisa ser realista no que diz respeito à sua fraqueza. As pessoas costumavam dizer que os teatros eram pontos de encontro de prostitutas, razão pela qual os puritanos tentaram fechá-los. Ninguém diria isso hoje em dia. Se houvesse mais cristãos no mundo, talvez fossem as prostitutas que estivessem mais preocupadas com o próprio espaço nesse universo. O vestuário é algo fundamental, por isso o seu processo de criação e fabricação deve ser algo bom, não havendo razão alguma pela qual algum pecado em particular deva integrar o mundo fashion. 


ENFOQUE – Quais são as maiores demonstrações de criatividade na Bíblia?


STEVE TUNER – A Bíblia em si. A mistura de história, oração, música, poesia, biografia, leis, cartas e visões é que criam esse “livro” tão especial.


ENFOQUE – Como os cristãos podem se mostrar eficientes nas artes?


STEVE TURNER – Da mesma maneira que não-cristãos tornam-se bons em alguma arte. Aprendendo com o passado, aprendendo com o seu ofício, absorvendo tudo o que é possível, sendo aberto a críticas, conhecendo-se a si próprio e desenvolvendo uma visão mais abrangente de mundo. Há um erro comum que consiste no fato de as pessoas imaginarem que os cristãos buscam evitar o trabalho árduo, limitando-se a orar. Há muita verdade no ditado que diz “Deus ajuda quem cedo madruga”. Paulo estudou as Sagradas Escrituras até que Deus o acolheu como preciosa matéria-prima e fez dele uma pessoa fundamental na história cristã. 


ENFOQUE – Quando a arte é prejudicial à vida cristã?


STEVE TURNER – A arte pode ser perigosa, assim como a comédia. Ela ultrapassa o nosso sistema de defesa. Nós entramos em contato com uma idéia que não pode ser refutada. Contudo, se algo é considerado como obra de arte, nós a imaginamos como sendo moralmente neutra, mesmo que ela tenha, de forma discreta, elementos que vão de encontro a nossos princípios morais.


ENFOQUE – Qual a melhor forma de utilizar a arte na igreja?


STEVE TURNER – As artes já são utilizadas na igreja, quando entoamos uma canção, assistimos a um vídeo ou construímos uma nova igreja. Nessas três citações utilizamos a mão-de-obra desses artistas. Por isso, cristãos que são artistas podem sempre melhorar a qualidade de tudo, desde capas de livros, músicas ou revistas cristãs. Desde que haja cristãos trabalhando no meio artístico, acho salutar que a igreja crie possibilidades de discussão. A Igreja ora pelos artistas. Ela é capaz de os entender, encorajar e ouvir, pois os artistas estão em mais freqüente harmonia com suas respectivas culturas. No entanto, não vejo o trabalho dos artistas na cultura como algo que deva ser organizado pela igreja. Quando realizo o meu trabalho, sou como o encanador ou o médico cristão. Busco entender meu próprio trabalho da maneira cristã de fazê-lo e eu acho que estou indo bem.


ENFOQUE – Atualmente têm surgido, em especial em países de primeiro mundo como Estados Unidos, Austrália e Europa, as chamadas Igrejas Criativas, citando Lakewood, LifeChurch e Hillsong. Algumas delas investem muitos recursos no desenvolvimento de arte, seja ela radiodifusiva, virtual, musical, teatral, cinematográfica ou editorial. Como você vê esta “nova geração de igrejas”? 


STEVE TURNER – É perigoso tornar a igreja em outra experiência criativa, imaginando que podemos competir com Hollywood e que devemos fazer tudo o que pudermos para chamar a atenção das pessoas. Embora eu ache que devemos sempre melhorar a comunicação, tenho consciência de que não podemos jamais deixar de confiar na poderosa Palavra de Deus. Eu lembro de um musical a que assisti há muitos anos que dizia: “Tudo é efeito, mas sem efetividade”. Nós devemos evitar isso.

(Publicado originalmente na Revista Enfoque Gospel)

Fonte: www.cristianismocriativo.com.br

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Uma lição para nossos adolescentes



Crítica do filme 'Meu nome não é Johnny'

Nos últimos tempos, a cinematografia brasileira tem voltado seus olhos para um dos problemas mais graves do país: o tráfico de drogas e a enxurrada de violência e corrupção que advém dele. ”Cidade de Deus” e ”Tropa de Elite” deixaram sua marca como as principais produções do gênero. Agora é a vez de “Meu nome não é Johnny”, que retrata a trajetória de um jovem de classe média carioca desde a época da inocência, passando por sua coroação como rei do tráfico do Rio de Janeiro até, por fim, a sua queda.

João Guilherme Estrella (Selton Mello) é um jovem inteligente e simpático, amado pelos pais e popular entre os amigos. Abusando do espírito aventureiro e boêmio, torna-se traficante de drogas. Mas, investigado pela polícia, é preso e seu nome chega às capas dos jornais.

Como grande parte dos filmes nacionais, este pode incomodar o cristão pelo excesso de palavreado pesado e cenas desnecessárias de intimidade sexual. Por outro lado, é uma obra essencial para pais preocupados em manter seus filhos longe das drogas. Baseado na história real do verdadeiro Estrella, o longa-metragem revela como um garotão como tantos outros vai, aos poucos, se envolvendo no universo da venda de drogas, da bandidagem e do lucro fácil. A trajetória de Estrella serve de alerta e de lição para quem deseja evitar que seus filhos caiam nesse buraco negro.

Que ninguém ache, no entanto, que “Meu nome não é Johnny” procura ensinar lições morais. Nada disso. É mais uma dissertação do que uma argumentação. Mas como para o bom entendedor um filme razoável basta, a história acaba mostrando que não há razões boas o suficiente para um jovem de família abastada passar de usuário de drogas a traficante. Uma passagem, é bom que se diga, injustificável. Mas também é uma passagem da alienação à consciência. E o público acaba testemunhando essa transição junto com o protagonista - o que é ótimo para nossos adolescentes.

O longa-metragem traz no elenco o sempre ótimo Selton Mello, no papel do protagonista. Ao lado de Cleo Pires, ele encabeça um time competente de atores. Sob a direção de Mauro Lima, o filme herda a estética das origens do cineasta: os videoclipes. A trama ganha um ritmo acelerado, embalado por músicas ágeis e presentes em excesso.

Para crianças, “Meu nome não é Johnny” não é uma boa opção, devido ao realismo e à sexualização supérflua de certas cenas. Mas para os aolescentes que começam a entrar naquela fase complicada da vida em que os amigos (nem sempre cristãos) tornam-se a maior inluência e em que as ofertas (sexuais, das substâncias químicas e outras novidades) estão à disposição em cada esquina, é quase um programa obrigatório. A sugestão é: assista com seus filhos, sobrinhos ou com os adolescentes da sua igreja, desde que depois sente-se com eles e faça-os refletir sobre o que viram. Certamente a conclusão a que chegarão é que o vício e o crime não compensam.

Fonte: CINEGOSPEL

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Limites: boa lição de um ex-traficante

Perguntei a João Guilherme Estrella, ex-viciado e ex-traficante que inspirou o filme "Meu Nome Não é Johnny", como ele educaria seu filho contra o abuso de drogas. Sua receita: ficar próximo e, sem discursos moralistas ou histéricos, mostrar os perigos do prazer. A proximidade ajudaria a evitar que o filho, longe da família, visse nos amigos sua única fonte de acolhimento afetivo. "Sou um ótimo contra-exemplo do perigo da droga", conta. 

Esse foi um detalhe da minha entrevista com João Guilherme. Mas é um detalhe valioso para os pais e educadores preocupados com o abuso de drogas entre os jovens. Estabelecer limites gera conflitos e desgastes, mas é uma das grandes responsabilidades dos pais e educadores não para tolher, mas para assegurar a liberdade. João Guilherme, como mostra o filme, sentia-se um indivíduo totalmente livre, sem limites na família, na escola e na sociedade. Foi descobrir o limite da pior maneira possível. Numa jaula.

O que a história de João Guilherme, amplificada pelo filme, traz à reflexão é que pouco adianta o discurso terrorista ou moralista contra as drogas. Da mesma maneira, é inútil não admitir que a droga gera prazer --e só por isso é sedutora. Diante disso, fica para os pais e educadores a lição de que não devem nunca temer o conflito com os jovens para que se estabeleçam os limites. Nesse conflituoso aprendizado do limite, o jovem tem mais condições de valorizar a autonomia.

Isso implica inclusive estabelecer limites na própria sociedade. Difícil falar para os jovens do perigo do abuso das drogas quando a publicidade estimula o consumo do álcool. É simplesmente indecente a facilidade com que se associa a bebida à sensualidade e até à saúde.

Para o aprendizado do limite sem moralismo nem histeria, o filme deveria ser trabalhado nas escolas. Vale mais do que qualquer sermão.

 

GD

FSP

14/01/08

Os piores filmes para cristãos em 2007

O CINEGOSPEL fez uma pesquisa junto a pastores, teólogos, professores de teologia, jornalistas e pessoas selecionadas para elaborar o ranking dos cinco PIORES filmes de 2007 para o público cristão. Ou seja: são filmes que ensinam heresias ou que vão ofender, irritar ou simplesmente incomodar pessoas que procuram viver vidas segundo a ética bíblica. E que não têm nada a acrescentar.


Nossos convidados votaram em nove longas-metragens que estrearam nos cinemas do Brasil e em seis longas-metragens que chegaram às locadoras do Brasil em 2007. Segue abaixo o resultado:

DVDs

As sete leis espirituais do sucesso

As sete leis
espirituais
do sucesso

Espiritos 2


Espiritos 2

Luzes do Além

Luzes do Além

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Motoqueiro Fantasma

Motoqueiro
Fantasma

Despedida de solteiro

Despedida
de solteiro
em Las Vegas

Número 23

Número 23

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CINEMA

Bussola 1

A Bússola de Ouro
(leia crítica no CINEGOSPEL)

Planeta Terror

Grindhouse
Planeta Terror

(leia crítica no CINEGOSPEL)

Superbad

Superbad - É hoje!
(leia crítica no CINEGOSPEL)

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O Albergue 2.

O Albergue 2
(leia crítica no CINEGOSPEL)

O Segredo 2

O Segredo
(leia crítica no CINEGOSPEL)

Harry potter

Harry Potter e
a Ordem da Fênix

(leia crítica no CINEGOSPEL)

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O balconista 2

O Balconista 2
(leia crítica no CINEGOSPEL)

RESIDENT EVIL 3

Resident Evil 3:
Extinção

(leia crítica no CINEGOSPEL)

Jogos Mortais 4

Jogos Mortais 4
(leia crítica no CINEGOSPEL)

Os melhores filmes para cristãos em 2007

O CINEGOSPEL fez uma pesquisa junto a pastores, teólogos, professores de teologia, jornalistas e pessoas selecionadas para elaborar o ranking dos cinco melhores filmes de 2007 para o público cristão.

Nossos convidados votaram em cinco longas-metragens que estrearam nos cinemas do Brasil e em cinco longas-metragens que chegaram às locadoras do Brasil em 2007 mas, após a contagem dos votos, acabamos incluindo mais do que cinco em cada categoria.

É importante ressaltar que não são necessariamente filmes evangélicos ou voltados para o público cristão e evangelico em geral, mas produções que contém mensagens e valores positivos do ponto de vista da ética bíblica. Segue abaixo o resultado:.

DVDs

Desafiando os gigantes_ 1

Desafiando os Gigantes
(leia reportagem no CINEGOSPEL)

Feliz Natal

Feliz Natal
(leia crítica no CINEGOSPEL)

Reine sobre mim

 

Reine sobre mim

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À Procura da Felicidade

À procura da felicidade
JESUS A HISTÓRIA DO NASCIMENTO

Jesus - A história do nascimento
A MENINA E O PORQUINHO

A menina e o porquinho

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CINEMAS

Spiderman White

O Preço da Coragem

Encantada PosterEncantada
(leia crítica no CINEGOSPEL)

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Nancy Drew
Nancy Drew
(leia crítica no CINEGOSPEL)

Tá dando onda!
Tá dando onda
(leia crítica no CINEGOSPEL)

ratatouille


Bússola que só aponta para baixo


Crítica do filme 'A Bússola de Ouro'

Antes de você assistir a “A Bússola de Ouro”, é importante saber em que tipo de terreno está pisando. E, no caso, é um terreno de lodo puro. O filme é baseado no primeiro livro da trilogia escrita pelo ateu radical Phillip Pullman (foto). Em uma entrevista em 2001, o escritor afirmou com todas as letras: ”Meus livros são sobre matar Deus”. Crítico ferrenho do cristianismo, fã confesso da série “Harry Potter” e refratário à série cristã ”As Crônicas de Nárnia” (”uma das coisas mais feias e venenosas que já li”), Pullman definiu sua própria trilogia como ”os materiais sombrios”, escrita para ser uma influência atéia oposta a ”Nárnia” e ”O Senhor dos Anéis”. ”Tento destruir os alicerces da fé cristã”, confessou sem pudores Pullman.

O filme conta a história de uma menina, Lyra, que viaja a um mundo distante para salvar um amigo. No caminho, encontra criaturas metamorfas, bruxas e uma série de personagens de um universo fantástico. Lyra é acompanhada por um ”daemon”, sua alma em forma de um animal. Ao adaptar “A Bússola de Ouro” para as telas, o diretor Chris Weitz buscou suprimir muitas das referências ateístas e anticristãs da trama, para não perder o dinheiro do ingresso dos crentes. Ele afirmou que o filme não faria, ao contrário do livro, menção direta a Deus ou a religião - dois temas-chave do livro. Como os fãs dos livros reclamaram, Weitz confessou: ”bem, a religião está lá, mas mascarada por eufemismos”. Falaremos mais sobre isso adiante.

Não há dúvidas sobre os aspectos técnicos do longa-metragem. A computação gráfica cria cenários e personagens fantásticos, junto com um figurino de extremo bom gosto. É fácil se deixar encantar por esse visual de fantasia. Os atores - entre eles Nicole Kidman (foto) e o 007 Daniel Craig, repetindo a dobradinha de ”Invasores” - não chegam a impressionar, mas mostram competência em suas atuações. Até mesmo as crianças estão bem em seus papéis. Fora das cenas de ação, a trama é arrastada, chegando à beira
do tédio em certos momentos.

O filme é violento. Violento demais para menores de idade - apesar de ser promovido como uma obra voltada para o público infanto-juvenil. Lyra, a heroína da história, tenta matar a própria mãe! Não bastasse isso, muitas cenas são incomodamente explícitas, como a luta entre dois ursos em que um arranca a mandíbula do outro. Muitos personagens são assassinados, há tiroteios, lutas de espada, bruxas flecham seus adversários… é uma festa sangrenta. Bruxas, aliás, são fundamentais na história, bem como demônios. E o inferno é mencionado como um lugar literal.

Sob a capa de beleza, fantasia e aventura, a produção carrega mensagens anti-religiosas, mascaradas por termos aparentemente inocentes. Não se usa, por exemplo, a palavra ”Igreja”, mas sim ”Magisterium”. ”Deus” é chamado de ”a Autoridade”. E, sim, Deus é morto no fim da trama. No mundo criado pela trilogia de Pullman, o Magisterium está ligado a experimentos cruéis com crianças, visando a descobrir a natureza do pecado, além de tentativas de acobertar fatos que prejudicariam sua legitimidade e seu poder.

Lyra, a heroína que as meninas vão querer imitar após ver o filme, não apenas tenta matar a mãe, mas é manipuladora e enganadora. Ao pôr em prática seus esquemas, ela sempre se dá bem - e é aplaudida por isso.

O grande perigo do filme é promover o livro, cujo conteúdo ateu, anticristão e - estava tentando evitar essa palavra para não assustar os leitores que não são cristãos, mas, sinceramente, não dá - diabólico constrói na mente de quem o lê uma imagem irreal de Deus. Assusta pensar nas legiões de crianças e adolescentes que vão correr às livrarias para comprar “A Bússola de Ouro” após ver o filme, do mesmo modo que fizeram com a série ”Harry Potter”. Hoje mesmo passei por uma livraria e vi o livro lá, na prateleira mais próxima da porta, como uma isca à espera do primeiro incauto que, incentivado pelo burburinho em torno do longa-metragem, vai se enredar em suas páginas.

Graças a Deus (literalmente?), “A Bússola de Ouro” foi um fiasco nas bilheterias americanas. No fim de semana de estréia, arrecadou apenas US$ 25,7 milhões em ingressos, enquanto os produtores esperavam faturar entre US$ 30 milhões e US$ 40 milhões. Até 18 de dezembro, o filme, que cusou US$ 180 milhões, faturou apenas US 40 milhões, um fracasso de proporções bíblicas para os padrões americanos.

O Vaticano condenou o filme, dizendo que ele promove a idéia de um mundo frio, sem Deus e caracterizado pela desesperança. Num editorial longo, o jornal do Vaticano l’Osservatore Romano também fez duras críticas a Philip Pullman. Foi a crítica mais dura feita pelo Vaticano a um autor e um filme desde a condenação que fez de “O Código Da Vinci”, em 2005 e 2006. “No mundo de Pullman a esperança simplesmente não existe, porque não existe salvação senão na capacidade pessoal e individualista de controlar a situação e dominar os acontecimentos”, disse o editorial. O jornal do Vaticano disse que os espectadores honestos vão constatar que o filme é “destituído de qualquer emoção em especial, além de uma grande frieza”. Grupos católicos nos EUA pediram o boicote ao filme, e a Liga Católica dos EUA exortou os cristãos a não assistirem ao filme, dizendo que seu objetivo é “prejudicar o cristianismo e promover o ateísmo” entre as crianças.

Pullman criou o universo de “A Bússola de Ouro” para fazer oposição aos mundos de Tolkien e C. S. Lewis. Mas a jornada épica de Lyra a um mundo em que agentes teocráticos seqüestram e torturam crianças é destituída de alegria e de filosofias edificantes, o que cria um abismo entre ”Crônicas de Nárnia” e ”O Senhor dos Anéis” e esta bússola que só aponta para baixo. Apesar de ser vendido como um longa-metragem esplendoroso, mantém-se em trevas, especialmente nas trevas da mentira espiritual.

Maurício Zágari Tupinambá


Fonte: CINEGOSPEL

Homens exageram própria inteligência, diz pesquisa

Um estudo realizado por um psicólogo britânico sugere que a teoria de que os homens são mais inteligentes do que as mulheres pode não passar de uma mera crença.

De acordo com Adrian Frunham, da University College London, enquanto os homens superestimam sua inteligência, as mulheres normalmente subestimam suas habilidades.

O pesquisador analisou dados obtidos em 25 estudos realizados em vários países sobre as possíveis diferenças entre os coeficientes de inteligência (QI) de homens e mulheres.

Os trabalhos analisados pelo psicólogo mostram que as mulheres tendem a dar notas mais baixas para seu nível de inteligência, cerca de cinco pontos a menos do que os homens.

Diferenças

Os testes mostraram ainda que tanto os homens como as mulheres tendem a acreditar que seus avôs são mais inteligentes do que as avós, que os pais são mais brilhantes do que mães e que os irmãos são mais expertos do que as irmãs.

Segundo o pesquisador, os testes mostraram que, de fato, houve uma diferença entre os QIs de homens e mulheres, mas que ela não é tão grande como se imagina.

Em média, eles marcaram apenas 3,69 pontos a mais do que elas, colocando os dois sexos em um mesmo nível de inteligência.

Para Frunham, os estudos confirmam que, na verdade, "os homens têm excesso de confiança, enquanto as mulheres são mais humildes".

O psicólogo reconhece, no entanto, que homens e mulheres desenvolvem certas áreas do intelecto de formas diferentes.

Enquanto eles têm melhor noção espacial e mais facilidade de lidar com dados numéricos, elas têm mais "inteligência emocional", se expressam melhor, têm maior vocabulário e lêem com mais facilidade, afirma o pesquisador.

Fonte: BBC

Ajuda de verdade

Contrariando o pensamento comum, os pobres servem de exemplo para nós, e não o oposto. É um dos paradoxos do reino de Deus. A viúva pobre, que ofertou a Deus as únicas moedas que possuía, serviu de exemplo para os discípulos (Mc 12.41-44).

Uma das definições mais interessantes de desenvolvimento comunitário é ‘trabalhar para o êxito dos outros’. Isso exige maturidade e desprendimento por parte do discipulador. O agente de desenvolvimento sábio faz com que o povo se envolva no processo de maneira participativa, de forma que as pessoas da comunidade sintam que o trabalho é delas.

Quando implantamos nossos projetos sociais apenas para nos dar o direito de evangelizar as pessoas, estamos usando a necessidade do povo para fazer valer o nosso discurso.
Resenha do livro 'O Reino entre nós' de Maurício Cunha e Beth Wood. Para saber mais do livro clique aqui.

domingo, 13 de janeiro de 2008

Aproveitando as oportunidades


Por Edson Sousa

Nossa existência é permeada de circunstancias onde surgem momentos adequados, favoráveis e/ou oportunos para realizarmos algo. São as oportunidades. É quando podemos fazer coisas certas ou coisas erradas, promover mudanças para o bem ou para mal, nosso e dos outros. Elas podem interferir na nossa espiritualidade, na nossa razão, no nosso físico e nas nossas emoções, balançando entre pra melhor ou pra pior. Portanto não podemos olhar as oportunidades apenas como coisas boas, pois elas podem ser ciladas do inimigo para atrapalhar nossa vida. É preciso atenção, sabedoria e se possível buscar aconselhamentos diante de uma oportunidade. Muitas pessoas reclamam que nunca tem oportunidades na vida. Acontece que esses momentos têm a ver com algo que sonhamos, esperamos ou necessitamos.  Se não temos sonhos, necessidades e esperança, nunca vamos perceber as oportunidades que surgem.

Em Marcos 10:46-52, encontramos o exemplo de Bartimeu, um cego mendigo, que tinha o sonho de tornar a ver, e que era ao mesmo tempo uma necessidade, e ele esperava uma oportunidade para conseguir esse objetivo. Mas não são suficientes apenas essas prerrogativas, é preciso ainda ter todos os sentidos aguçados, além de prestar atenção aos acontecimentos que nos cercam. Bartimeu era cego, mas não era surdo. Sentado a beira do caminho ele ouviu quando uma grande multidão passava e falava de Jesus. De alguma forma ele ficara sabendo dos milagres de Jesus, ou seja, ele sabia o que estava acontecendo no mundo ao seu redor, mesmo não podendo ver. Podemos considerar que Bartimeu “ouviu” a oportunidade. Dessa forma ele percebeu o momento oportuno e o agarrou. Porém para agarrar uma oportunidade é preciso algumas atitudes: Bartimeu teve fé, pois, ao saber que Jesus ali estava, clamou por compaixão; ele teve perseverança, pois ao começar a clamar, as pessoas, e até os discípulos de Jesus tentavam impedi-lo de gritar e ainda o pressionavam para que se calasse. Mas Bartimeu diante dessas dificuldades, clamava mais e mais alto; ele teve ousadia, pois quando Jesus o chamou ele deixou tudo o que tinha e foi até o Senhor, não teve medo, nem vergonha e nem se preocupou com as conseqüências. Mas para agarrar a oportunidade certa é preciso ter bem claro o que se quer. Quando Bartimeu chega até Jesus, este lhe pergunta: -“O que queres que te faça?” – Ora Jesus sabia o que Bartimeu queria, ou precisava. Mas será que Bartimeu tinha certeza do que realmente queria?  Jesus faz essa pergunta, não porque não percebesse o que ele queria, mas para fazê-lo refletir que a partir daquele momento, ao ser curado, ele deveria procurar sobreviver trabalhando, já que como cego, as pessoas se comoviam e ajudavam-no. Precisamos considerar as conseqüências, sejam elas, na nossa visão, boas ou ruins. A oportunidade vem e passa. Muitas vezes ela é única, se deixamos passar não teremos outra. Quem tem um sonho, uma necessidade e esperança, é sério candidato a oportunidades. Portanto, sentidos aguçados, pois elas vão surgir.


Edson Sousa é um dos líderes da Comunidade Vineyard de Piratininga

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

A oração simples

por Ed René Kivitz

Não existe oração errada. Aliás, a oração errada é aquela que não é feita. A Bíblia Sagrada ensina que se deve orar a respeito de tudo. Orar por qualquer motivo, qualquer hora, qualquer lugar, sempre que o coração não estiver em paz. Tão logo o coração experimente apreensão, preocupação, medo, angústia, enfim, seja perturbado por alguma coisa, a ação imediata de quem confia em Deus é a oração.

O apóstolo Paulo diz que não precisamos andar ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, com ação de graças, devemos apresentar nossos pedidos a Deus, tendo nas mãos a promessa de que a paz de Deus que excede todo o entendimento, guardará nossos sentimentos e pensamentos em Cristo Jesus (Filipenses 4.6,7). A expressão "coisa alguma' inclui desde uma vaga no estacionamento do shopping center quanto o fechamento de um negócio, o desejo de que não chova no dia da festa quanto a enfermidade de uma pessoa querida.

Esta experiência de oração é chamada de oração simples: orar sem censura filosófica ou teológica, orar sem se perguntar "é legítimo pedir isso a Deus?" ou "será que Deus se envolve nesse tipo de coisa?". Simplesmente orar.

A garantia que temos quando oramos assim é a paz de Deus em nossos corações e mentes. A Bíblia não garante que Deus atenderá nossos pedidos exatamente como foram feitos: pode ser que a vaga no estacionamento não seja encontrada e que chova no dia da festa. A oração não se presta a fazer Deus trabalhar para nós, atendendo nossos caprichos e provendo o nosso conforto. Já que a causa da oração simples é a ansiedade, a resposta de Deus é a paz. O resultado da oração não é necessariamente a mudança da realidade a respeito da qual se ora, mas a mudança da pessoa que ora. A mudança da situação a respeito da qual se ora é uma possibilidade, a mudança do coração e da mente da pessoa que ora é uma realidade. Deus não prometeu dizer sim a todos os nossos pedidos, mas nos garantiu dar paz e nos conduzir à serenidade. Não prometeu nos livrar do vale da sombra da morte, mas nos garantiu que estaria lá conosco e nos conduziria em segurança através dele.

O maior fruto da oração não o atendimento do pedido ou da súplica, mas a maturidade crescente da pessoa que ora. Na verdade, a estatura espiritual de uma pessoa pode ser medida pelo conteúdo de suas orações. Assim como sabemos se nossos filhos estão crescendo observando o que nos pedem e o que esperam de nós, podemos avaliar nosso próprio crescimento espiritual através de nossos pedidos e súplicas a Deus. As orações revelam o que realmente ocupa nossos corações, o que realmente é objeto dos nossos desejos, o que nos amedronta, nos desestabiliza e nos rouba a paz.

O apóstolo Paulo diz que quando era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. Mas quando se tornou homem, deixou para trás as coisas de menino (1Coríntios 13.11). Não existe oração certa e errada. Mas existe oração de menino e oração de homem. Oração de menina e oração de mulher. A diferença está no coração: coração de menino e de menina, ora como menino e menina. A nossa certeza é que Deus também gosta de crianças.

Publicado originalmente em www.galilea.com.br 

Ed René Kivitz é teólogo, com mestrado em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo, e pastor presidente da Igreja Batista de Água Branca, SP. É também palestrante e escritor, e dentre suas obras mais conhecidas estão Vivendo com propósitos e Outra Espiritualidade, ambas publicados pela Editora Mundo Cristão